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Mostrando postagens com o rótulo poema

O banquete

Sentei esperando. Passei alguns minutos esperando. Horas... Dias... Se foram as cores, os sabores — azedou. Chegaram as moscas. Esperei só mais um pouquinho, mas a fé do menino também azedou. Não fui embora: eu também era a mesa posta. Esperei menino, entendi homem. Banquete pode ser um pão dormido — para alguns. Uma ceia de majestade pode ser ilhufas para outros. Wellingtton Jorge

Saber que nem tudo

Saber por que vai.  Saber de onde veio. Saber por que parou. Saber com quem vai. Saber com quem parou. Saber quem carregou. Saber recalcular a rota. Saber rejeitar o caminho. Saber que nem tudo é para quem está com todos. Wellingtton Jorge

Pedregrulhos

Tenho pedregulhos no bolso, lembrança de um tempo bom. Levo o que pesa no coração, e o bom... não ficou. A lembrança que tenho era de um começo. — Por que os começos não duram mais tempo? Venho aqui deixar pedrinha por pedrinha, mas todos os dias tenho que voltar. Não abraço o tempo, não temos mais essa intimidade. Ele até se enjoou de mim — todos os dias passando aqui, depositando... depositando... Não é xante, são penedos que jogados aqui. Wellingtton Jorge

Woman in chains

Woman in chains Em ruínas da paixão, sobre os escombros do amor, implora ao seu homem: Free me... Man of stone, em seu trono, ignorando aquele pequeno ruído entre os escombros. Woman in chains... Woman in chains... Ei... Deixa-a ir. So free her. Wellingtton Jorge

Bolo de milho

Sobre a mesa, um bolo — milho cremoso, aroma do campo. Canela o completa, café eu acrescento. Como entender a sincronicidade? Amada alma que me presenteou, o que desejei um poente antes recebo no crepúsculo posterior. Wellingtton Jorge  *Presentes inesperados, fazem poemas brotarem...  Irma & Ieda 

Garçom do Zbar

Garçom, o que há de melhor hoje? "Garçom, aqui... Você já escutou caso igual?" Se o que falo, e como falo, não é tudo que falo — como irá compreender a dor de não ser? Desculpa por ser chato, largado ao prantos no chão. Encontro forças para chorar. Garçommmm... Ela, na igreja, com o véu, eu aqui no féu, clamando por milagre. Deus não pode abençoar lá  Ele tem que estar com os oprimidos, aqui! GarlÇonnn... mais... uma... Porr favooorr...   Wellingtton Jorge

MPB

Amo a nova MPB, mas a antiga, meu Deus! é maravilhosamente irresistível. Como uma mulher madura, de pele aveludada, exalando seus aromas, seus jeitos e olhares — que fazem qualquer homem se tornar garoto. Wellingtton Jorge

Não sei de mim

Me dei conta que sei muito de você. Conheço o mapa do seu corpo, a xícara de café com leite vegetal, suavemente quente, a forma de passar a manteiga no pão. Sei de mim muito pouco. Fui esquecendo. Esses dias percebi que tenho uma pinta no braço. Disseram que era de nascença. Não sabia. Eu sei tanto de você e nada de mim. Sei de você, e nada sobre nós. Só sei de você. Wellingtton Jorge

Velha infância

No frio, há de brincar como criança. Esquentar as pernas no pega-pega, deixar aquecer a inocência na cantiga. Gritar, ser — apenas ser — e não pensar em como deveria existir. Velha infância, — Corra com eles para brincar. — Estou quase correndo para me esquentar. Como adulto, queremos permissão para avançar. — Lembre-se: criança não pede licença para brincar. Wellingtton Jorge

Quando a Vida desfila

 Um dia li Manoel de Barros: “Andando devagar eu atraso o final da Vida.” Que maravilhoso ler isso! O triste é que a Vida também o lê. E, sabendo disso, a brincalhona faz suas meninices: corre para alcançar alguns, mete a rasteira em outros, se esconde, atrasa o que não deveria atrasar, apressa o que não deveria existir. Essa menina é linda demais, e incontrolável — igual ao cavalo Spirit. Mandona e manhosa, tudo do jeito dela. Sabendo pegá-la, verá o quanto é leve. Há os que dizem que ela é pesada. Não afirmo, mas tenho minhas dúvidas. A vi em várias formas, igual a um desfile de carnaval: alegorias e fantasias diferentes passando na avenida, com o Tempo marcando. Seu pai é bravo, meticuloso e de poucas palavras. Enquanto a Vida brinca, ele acelera. Manoel de Barros tenta… mas, no final, é o pai quem organiza o fim. Wellingtton Jorge

Longe de Casa [minha menina]

Logo cedo, bem longe de casa, se despiu para o mundo e do mundo se vestiu. A cada pagamento, um pouco de si se esvaía. Para cada momento, um pouco do outro ficava. [minha menina] Na beira das estradas, ruas e becos, plantou presença. Se vende. Vejo medo em seu olhar. Vejo seu corpo lá, e seus olhos atentos pedem socorro! [minha menina] Ouvindo a canção, no disco antigo, a Esperança a escuta. Mesmo sem palavras, ouviu a dor em teus olhos. Na tarde de chuva, ela chorou. [minha menina] Wellingtton Jorge