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Retrato de Wellingtton Jorge
Sobre o autor

Entre palavras, acordes e perguntas.

Escritor, poeta, professor e apaixonado pelas possibilidades da mente humana. Sua vida atravessa a arte, a música, os livros, a filosofia, a docência e o trabalho de transformar ideias em movimento.

A escrita nasce da tentativa de perceber o que muitas vezes passa despercebido.
Biografia

Wellingtton Jorge

Wellingtton Jorge é escritor, poeta, professor e um apaixonado pelas possibilidades da mente humana. Nasceu na periferia de Itaquera, lugar onde começou a observar o mundo, as pessoas, seus silêncios, conflitos e esperanças — matéria-prima que, anos mais tarde, encontraria morada em sua escrita.

Seu encontro com a arte aconteceu ainda nos primeiros anos da adolescência. Foi nessa fase que começou a escrever, tentando transformar pensamentos, sentimentos e inquietações em palavras. Também foi na adolescência que a música entrou definitivamente em sua vida. Começou estudando teoria musical e, posteriormente, dedicou-se ao piano, especialmente inspirado pela liberdade, pela complexidade e pela sensibilidade dos grandes jazzistas.

A música lhe ensinou que o silêncio também faz parte da composição. A escrita, por sua vez, mostrou-lhe que algumas coisas somente podem ser compreendidas quando ganham palavras.

Durante determinado período, as exigências da vida adulta afastaram parcialmente Wellingtton da produção artística. A escrita, no entanto, nunca desapareceu por completo. Permaneceu como uma espécie de voz subterrânea, esperando o momento de retornar. Já na fase adulta, ele reencontrou a poesia e passou a conciliar a vida profissional com suas necessárias fugas para a arte.

Ou talvez não sejam fugas.

Para Wellingtton, sua trajetória profissional só encontra verdadeiro sentido porque a música e a escrita continuam existindo. São elas que preservam sua sensibilidade, alimentam sua curiosidade e o ajudam a compreender que a vida não pode ser medida apenas por resultados, metas ou produtividade.

Leitor apaixonado, encontra nos livros uma forma de diálogo com outras épocas, pensamentos e maneiras de enxergar o mundo. Filosofia, psicologia, literatura, poesia e espiritualidade ocupam lugar especial em suas leituras. Interessa-lhe profundamente a capacidade da mente humana de imaginar, criar, questionar e desenvolver o pensamento.

É admirador de grandes pensadores e discípulo autodeclarado de Rubem Alves, de quem herdou — ou escolheu aprender — o gosto pelas perguntas, pela beleza, pela educação sensível e pela palavra que não apenas informa, mas desperta.

Seus poemas e textos atravessam temas como amor, fé, memória, cotidiano, ausência, encontro e existência. Sua escrita nasce da tentativa de perceber o que muitas vezes passa despercebido: um gesto, um sorriso, uma inquietação, uma música, uma conversa ou aquilo que permanece ecoando depois que todos já foram embora.

Paralelamente à produção artística, Wellingtton construiu uma trajetória como administrador, professor, estrategista e fundador do Grupo 365. Atua com negócios, marketing, processos, automação e inteligência artificial aplicada às empresas. Na docência e na consultoria, procura transformar ideias complexas em entendimento e movimento.

Ainda assim, antes das estratégias, dos processos e das tecnologias, existe a palavra.

Wellingtton escreve porque acredita que pensar também é uma forma de criar. Escreve para organizar o caos, preservar memórias, atravessar sentimentos e encontrar beleza onde nem sempre ela é evidente. Entre livros, acordes, poemas e perguntas, continua aprendendo a arte de olhar o mundo com atenção.

Pode escrever milhares de palavras, mas reconhece que nenhuma delas se compara ao verdadeiro Verbo que o inspira.

Laus Deo.

Arte

Escrita

Poemas e crônicas sobre amor, fé, memória, cotidiano, ausência, encontro e existência.

Música

Piano e jazz

Uma paixão iniciada na adolescência, passando pela teoria musical e pelo estudo do piano.

Pensamento

Livros e filosofia

Leitor de filosofia, psicologia, literatura, poesia e espiritualidade; discípulo autodeclarado de Rubem Alves.

Postagens

Acabei de escrever

Antibiótico

O tempo se torna um antibiótico e um lindo quadro: cura a dor e eterniza as memórias. Wellingtton Jorge

Sem nome

Liberdade mesmo é de quem não nasceu. Não está preso em nenhum corpo, consciência ou deveres. Não precisa ser. Não se importa em ter. Talvez nem saiba o que é. Nada importa sua definição. Sem cor, religião, nacionalidade, profissão... E o principal, sem nome. Wellingtton Jorge In memoriam de Bruno — este poema, escrito antes de sua partida, agora ganha novo sentido como singela homenagem à sua memória.

Sexo

Falem o que quiser, mas o sexo com amor é a droga viciante do coração. Como uma roda-gigante — é maravilhoso. Esse movimento orgânico entre os corpos: um sobe, outro desce. Você sobe, eu desço. Alterando a visão, contemplação, prazer e adrenalina. Wellingtton Jorge

Se deixar viver

A vida tem sido apertada. Me fiz caber em você, mesmo sem espaços. Tornei-me pequeno. Tão pequeno — que desapareci de mim. E assim, nunca mais fui aquele. Fui me tornando chuva. Serena chuva — gotas que escorreram no meu rosto, no seu rosto... Pra se deixar de viver — aquela aliança. Wellingtton Jorge

Monjolo

Todos os relógios que tenho, ajustei. Mas, em tudo, chego atrasado. Não é falta de disciplina, organização ou responsabilidade. (Tudo isso tenho demais — minha terapeuta até me pede para me cobrar menos.) Contudo, a vida me deu isso. Vivo correndo para alcançar. Meu tempo voa. Se eu fosse de sangue aristocrata, sei que seria diferente. Meu sangue é Angola, Congo, Benguela, Monjolo, Cabinda, Mina, Quíloa, Rebolo... igual ao Jorge Ben.   Wellingtton Jorge

Calvície, a debochada

A resistência do homem e sua calvície é algo admirável. Ele luta até os últimos fios de cabelo, mesmo que não tenha quase nada... ainda penteia. A calvície leva fio a fio. Todos os dias, no espelho, ela debocha, tira um sarro: — Cabelo em pé? Não! Cabelo no chão! Bravamente, o homem se mantém firme em seu propósito. Todos sabem, veem e comentam (escondidamente). Chega o dia em que o homem supera seu âmago, raspa os remanescentes, se olha no espelho e procura a debochada: — Calma, meu senhor... embora não veja, a ti eu pertenço. Wellingtton Jorge *Observando um cobrador de ônibus e seus últimos fios de cabelo

Ônibus

Cheguei, passou. Dei sinal, nem vou. Tentei correr, mas era tarde. Espero, como sempre esperei. Quando era menino, me ensinaram que é preciso esperar o tempo das coisas. Até na Bíblia tem isso. Então, espero... Tenho esperado demais. Agora vou. Não era assim que eu queria — mas tem como ir neste que chegou. Cheguei, passou. Nem consegui chamar. Quando vi, já estava virando a esquina. Vou esperar novamente, como sempre faço — nem sei se faço porque quero, preciso, ou aprendi. E o que se aprende quando é menino se torna lei depois do tempo. Até penso que estou atrasado: quando chego, quase tudo já passou. Quando vou, já não importa mais. E quando tenho, não funciona mais! Tento recuperar o perdido, mas de longe vejo outros embarcando tranquilamente. Talvez seja assim: para mim, já passou. Para eles, tudo chegou. Wellingtton Jorge