Pular para o conteúdo principal

Ônibus

Cheguei, passou.
Dei sinal, nem vou.
Tentei correr, mas era tarde.

Espero, como sempre esperei.

Quando era menino, me ensinaram
que é preciso esperar o tempo das coisas.
Até na Bíblia tem isso.

Então, espero...
Tenho esperado demais.

Agora vou.
Não era assim que eu queria —
mas tem como ir neste que chegou.

Cheguei, passou.
Nem consegui chamar.
Quando vi, já estava virando a esquina.

Vou esperar novamente,
como sempre faço —
nem sei se faço porque quero, preciso,
ou aprendi.

E o que se aprende quando é menino
se torna lei depois do tempo.

Até penso que estou atrasado:
quando chego, quase tudo já passou.
Quando vou, já não importa mais.
E quando tenho, não funciona mais!

Tento recuperar o perdido,
mas de longe vejo outros embarcando tranquilamente.

Talvez seja assim:
para mim, já passou.
Para eles, tudo chegou.

Wellingtton Jorge

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A dança de Sophia

Braços abertos, olhar encantado - Vem minha princesa Can't Help Falling in Love Passos leves, reino a imaginar Realeza no nosso pequeno castelo Dançamos sobre a luz Compassos ditando os movimentos A princesa voa no colo E por breve momento o sonho se tornou realidade Grand finale ... o melhor abraço com a sútil voz - Eu te amo! Wellingtton Jorge

Caatinga

Esta terra seca sou eu, Árida, galhos finos, Envolto pelo sertão. As raízes são as veias que carregam pouca vida. Caatinga. Não existe verde. Se foi a esperança de chuva, De um simples brotar de grama. Até o calango já morreu. Wellingtton Jorge

Mozart e Miles Davis, Rubem e Wellingtton

Começo a acreditar que, ao se inspirar em uma determinada pessoa, você passa a vivenciar algo semelhante ao que ela vive. Talvez a espelhar seus atos, pensamentos e até mesmo suas paixões. Quando leio Rubem Alves, tenho a sensação de reflexo, sinto-me como se estivesse diante de um espelho. Não sou presunçoso a ponto de me comparar a ele, não sou tão iludido a ponto de comparar Ronaldinho Gaúcho com Endrick ou Rubem Alves comigo.  Mas é importante (para mim) observar o quanto temos em comum. Quando me deparei com sua crônica "Mozart" nas páginas do maravilhoso livro Ostra feliz não faz pérola, ri muito e lembrei de um episódio similar. Em uma ida rotineira ao Starbucks de Itaquera, pedi meu café expresso de brigadeiro, enquanto ao fundo tocava um repertório magnífico de Miles Davis. Ao pagar o café, perguntei à atendente quem havia escolhido o repertório. Empolgado para citar a música So What e me aprofundar ainda mais no assunto, recebi um balde de água fria. A resposta ines...