Pular para o conteúdo principal

Hipoteticamente


Gostaria muito de ter a idade da sabedoria, só para dizer que no meu tempo de mocidade era diferente. Hoje a alegria e espontaneidade dos jovens me chamou atenção. Recordei de muitos momentos compartilhados com amigos e, das invenções que tínhamos só para jogar videogame depois das aulas. Nessa terça-feira de brisa suave e maravilhosa, estava eu em São Bernardo do Campo, e vi um quarteto fantástico rindo e falando coisas de jovens.

Fui curioso e deixei meu ouvido atento para captar cada palavra desses jovens cheios de vida naquele ponto de ônibus. Quando tive ciência, estava rindo com eles (igual o faço nesse exato momento que escrevo). Não os conheço, mas gostaria de ter passado a tarde ouvindo aquela conversa insana, imatura e cheia de vida.

Nossa maturidade retira das palavras a energia de vida, pensamos para falar e esquecemos de sentir o que falamos. Olha se tem cabimento, quando um deles contou uma história “hipotética” (uso as palavras dele nesse relato). “Hipoteticamente, se um amigo seu não gostar do seu outro amigo, e você o presenteia, o que você faria?”.

Feche os olhos e imagine a cena que eu presenciei, pois não falo de uma amizade qualquer, falo de amigos “crush não assumidos”, e este amigo não gostou que sua melhor amiga tivesse presenteado um outro menino.

Tentei, juro que tentei não rir, mas olhei para os céus e agradeci, por ser apenas um rapaz latino americano que estava no lugar certo, no momento certo e com as pessoas certas. Pois “hipoteticamente” não deveria estar nessa data, naquela cidade. Mas por tantas variáveis, eu precisei deslocar-me e permanecer por lá meio período.

Quando o ônibus chegou, titubeei em dar o sinal, pois desejava muito ouvir mais das coisas de jovens, mesmo assim tive que partir. Não sei se em breve os encontrarei, mas se o acaso permitir, falarei que essa crônica é para eles.  

No caminho lembrei das amigas que “hipoteticamente” deram presentes para outros meninos e eu ficava olhando (assumo que na época foi difícil, mas hoje eu estou rindo). Desejo que elas possam ler isso e ver que de maneira nenhuma e nem da hipotética, elas devem fazer isso com seus amigos (risos).

Após rir e agradecer a Deus pela graça da vida, passei o dia procurando jovens para extrair a sabedoria que perdemos com a maturidade. A sabedoria da simplicidade e alegria em tudo. Jovens não encontram dificuldade na distância e um simples copo de refrigerante pode ser dividido entre os 10 amigos no intervalo e, isso não muda o que eles estão vivendo. Certo é que, para eles não importam pensar no momento, e sim, vive-los e registrá-los.

Wellingtton Jorge

Comentários

  1. Com certeza,na correria e nas responsabilidades da vida,nos perdemos a todo momento,perdemos a essência,esquecemos que o melhor da vida é viver...Se sujar,tomar banho de chuva,rir até doer a barriga,ai ai,o que diria Gonçalves Dias,em "" Meus Oito Anos"" ....Que saudade da minha infância querida que os anos já não trazem mais,penso que a infância e juventude é aproveitar o máximo da vida sem correr e não se dá conta do gosto da vida....Viver é um espetáculo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Desejo a sabedoria da simplicidade em sua vida e que possa viver grande alegrias.

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

A dança de Sophia

Braços abertos, olhar encantado - Vem minha princesa Can't Help Falling in Love Passos leves, reino a imaginar Realeza no nosso pequeno castelo Dançamos sobre a luz Compassos ditando os movimentos A princesa voa no colo E por breve momento o sonho se tornou realidade Grand finale ... o melhor abraço com a sútil voz - Eu te amo! Wellingtton Jorge

Caatinga

Esta terra seca sou eu, Árida, galhos finos, Envolto pelo sertão. As raízes são as veias que carregam pouca vida. Caatinga. Não existe verde. Se foi a esperança de chuva, De um simples brotar de grama. Até o calango já morreu. Wellingtton Jorge

Mozart e Miles Davis, Rubem e Wellingtton

Começo a acreditar que, ao se inspirar em uma determinada pessoa, você passa a vivenciar algo semelhante ao que ela vive. Talvez a espelhar seus atos, pensamentos e até mesmo suas paixões. Quando leio Rubem Alves, tenho a sensação de reflexo, sinto-me como se estivesse diante de um espelho. Não sou presunçoso a ponto de me comparar a ele, não sou tão iludido a ponto de comparar Ronaldinho Gaúcho com Endrick ou Rubem Alves comigo.  Mas é importante (para mim) observar o quanto temos em comum. Quando me deparei com sua crônica "Mozart" nas páginas do maravilhoso livro Ostra feliz não faz pérola, ri muito e lembrei de um episódio similar. Em uma ida rotineira ao Starbucks de Itaquera, pedi meu café expresso de brigadeiro, enquanto ao fundo tocava um repertório magnífico de Miles Davis. Ao pagar o café, perguntei à atendente quem havia escolhido o repertório. Empolgado para citar a música So What e me aprofundar ainda mais no assunto, recebi um balde de água fria. A resposta ines...