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Mostrando postagens de novembro, 2019

Eu e Cora Coralina

Li Cora Coralina, a conheci, vi sua infância. Foi uma menina estranha e rejeitada. Caía demais, joelhos sempre a sangrar. Quando um poeta escreve, nos versos, ele próprio pode se encontrar. Quando outro poeta lê , ali eles podem se amar. Não falo do amor Eros , mas no reflexo dos seres, o espelho atemporal dos versos, o narcisismo que nos habita e gera pertencimento à história do outro. Posso eu contar a história dela e fazer da minha o enredo? Posso dizer muito sobre Cora, e você aprender mais sobre mim. Somos simples, eu e Coralina. Família de sotaques, escassez no banquete da mesa. Mas a imaginação sempre foi um alimento diário. Nunca faltou, mas também não era de sobrar. Cresceu e viveu na simplicidade. E o sucesso chegou, não pelo ter, mas por ser. Seu nome já ficou; o meu há de ficar. Seremos um do mesmo. Já temos algumas coisas em comum: a pátria e o lápis; no meu caso, o smartphone. Gerações mudam e se reinventam, mas os sentimentos ficam a ...