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Quem sabe isso quer ser uma oração

Olho com olho
cadeiras se encarando 
no pé do altar 
onde o sagrado fala
Falaria eu da fé para continuar, 
mas meus olhos já revelam a descrença do caminhar.

De um lado dor do sepultamento,
do outro a do desespero
Quando o silêncio reina
os sons dos carros podem dizer muito mais
O som do vai e vem, 
desejaria tanto estar nesse que vai.

O tempo não pára
quando preciso limpar as feridas,
ele vai e na pressa nem consigo limpar tudo
E por correr acabo batendo novamente 
no mesmo lugar que sangrou tempos atrás.

O que eu sou?
Isso também perdi por correr atrás do tempo
Eu era um, que deixei pra lá
e aqui outro eu sou,
mas na verdade eu não sei quem eu sou!

Sei que todo homem precisa,
apenas de um colo para repousar
Das suas dores se despir
nú de alma ficar,
Permitir que as lágrimas trilhem o seu rosto 
O frágil aparece 
E no fim nada do que ele é, se desfazer
Não ser menor por ser (nesse momento) nada Estar perdido é muito diferente de ser um perdido.

Wellingtton Jorge

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