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Lavar a louça

As besteiras que pensamos contêm grandes dilemas filosóficos. Hoje, quando fui lavar a louça, tive uma paralisia repentina, oriunda da preguiça. E, nesse exato momento, resisti à tentação e ela se afastou de mim. Fui até a pia e lavei meu prato, duas taças de vinho e meus talheres.

Durante essa resistência à preguiça, pensei em quantas pessoas não gostam de lavar louça e como essa é uma tarefa essencial para manter a casa organizada, limpa e aconchegante. Mesmo sem vontade, realizamos essa tarefa dia após dia, gostando ou não.

Em minutos, finalizei a obrigação. E pensei como é simples fazer algo mesmo sem gostar. Pergunto-me quantas coisas importantes fazemos sem gostar. Digo "coisas" no sentido de tarefas relevantes, não de ações que violem nossos princípios ou nossa essência.

E a conclusão é: lavar a louça é como defecar. Se você não se limpar depois, gostando ou não, haverá muita sujeira. Não me lembro de alguém dizer que gosta de se limpar após defecar, que ama fazer isso! Contudo, não me recordo de ninguém reclamar por ter que se limpar. Então por que devemos fazer tudo baseados no desejo de gostar, em vez de considerarmos a importância do resultado?

Wellingtton Jorge


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