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Quando a Vida desfila

 Um dia li Manoel de Barros:

“Andando devagar eu atraso o final da Vida.”

Que maravilhoso ler isso!

O triste é que a Vida também o lê.
E, sabendo disso, a brincalhona faz suas meninices:
corre para alcançar alguns,
mete a rasteira em outros,
se esconde, atrasa o que não deveria atrasar,
apressa o que não deveria existir.

Essa menina é linda demais, e incontrolável —
igual ao cavalo Spirit.

Mandona e manhosa, tudo do jeito dela.
Sabendo pegá-la, verá o quanto é leve.

Há os que dizem que ela é pesada.
Não afirmo, mas tenho minhas dúvidas.

A vi em várias formas, igual a um desfile de carnaval:
alegorias e fantasias diferentes
passando na avenida, com o Tempo marcando.

Seu pai é bravo, meticuloso e de poucas palavras.
Enquanto a Vida brinca, ele acelera.

Manoel de Barros tenta…
mas, no final, é o pai quem organiza o fim.

Wellingtton Jorge

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