Li Cora Coralina,
a conheci, vi sua infância.
Foi uma menina estranha e rejeitada.
Caía demais,
joelhos sempre a sangrar.
Quando um poeta escreve,
nos versos, ele próprio
pode se encontrar.
Quando outro poeta lê,
ali eles podem se amar.
Não falo do amor Eros,
mas no reflexo dos seres,
o espelho atemporal dos versos,
o narcisismo que nos habita
e gera pertencimento à história do outro.
Posso eu contar a história dela
e fazer da minha o enredo?
Posso dizer muito sobre Cora,
e você aprender mais sobre mim.
Somos simples, eu e Coralina.
Família de sotaques,
escassez no banquete da mesa.
Mas a imaginação sempre foi um alimento diário.
Nunca faltou,
mas também não era de sobrar.
Cresceu e viveu na simplicidade.
E o sucesso chegou,
não pelo ter, mas por ser.
Seu nome já ficou;
o meu há de ficar.
Seremos um do mesmo.
Já temos algumas coisas em comum:
a pátria e o lápis;
no meu caso, o smartphone.
Gerações mudam e se reinventam,
mas os sentimentos ficam a girar pelo mundo.
Os sentimentos giram
e encontram corações.
Os corações se abrem
e encontram pessoas.
As pessoas se encontram
e se tornam especiais.
Os especiais são poucos.
Aliás,
sempre temos o necessário.
"...Seu nome já ficou, o meu há de ficar..." , não tenho a menor dúvida . Lindo Texto
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