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A moeda que abre um sorriso

Tudo de bom que a vida nos dá é comprável com um sorriso. O tempo na cidade tem levado o tempo da paz e do silêncio. São Paulo, amada cosmopolita, terra de tantos artistas e da diversidade. A Avenida Paulista e a Berrini, no bloquinho econômico, conduzem a um ritmo intenso, sem deixar a bateria recuar.

Como ter uma música sem recuo? Os carnavalescos chorariam dias seguidos por levar uma nota baixa por falta de recuo. É preciso reorganizar a bateria para que fluam as alas da vida.

Vejam as flores e as grandes árvores: dançam com o vento, sincronizadas como uma onda, dão as mãos quando balançam, soando suas notas musicais. Tocam mínimas e semínimas quando um pica-pau está por perto; abrem os braços para a sinfonia das cigarras e para os festivais dos pássaros, sempre respeitando o silêncio.

Deixamos de desejar o silêncio, construímos ídolos chamados entretenimento e barulho. A natureza mantém-se viva como sempre; ela não precisa de terapia nem de sessões de psicanálise.

Os pássaros sentam juntos para cantar, enquanto um aumenta o tom, o outro faz firulas. Todos os dias amanhecem conversando entre si, contando sobre o dia anterior.

— Viu o Zé? Ontem ele enfrentou um engarrafamento enorme. A cidade estava quente, mas conseguiu chegar em casa com duas minhocas lá do Ibirapuera.

— O Geosmar também. Falou que teve um acidente; os cachorros brigaram por causa de um saco de lixo lá do açougue.

Sejamos pássaros. Falemos da vida e da vida do outro. Para viver, é essencial aprender a cantar e a pausar. O fôlego vem quando a boca se fecha e o pulmão se enche.

Oremos como o sabiá:

Que a pausa nossa de cada dia nos dai hoje.
Perdoai a nossa correria, assim como nós perdoamos os corredores.
Não nos deixeis cair em reuniões e livrai-nos de todas as horas extras.

A moeda que abre um sorriso não se ganha na Berrini.

Amém.


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