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Vitis vinifera, a nossa raíz

"Meu amor, a vida passa num instante, e um instante é muito pouco pra sonhar" Começo esse texto ao som de Oswaldo Montenegro, lançado em um instante que se fez raiz, instante que nutriu minha alma, como um vinhedo nas montanhas que busca lá nas profundezas os mais ricos nutrientes sentimentais para sua existência. Hoje, lendo Graciliano Ramos, sua famosa obra Vidas Secas . Sim! Estou falando da Baleia, a cachorra mais conhecida do nosso nordeste maravilhoso, Fabiano e sua indagação se é bicho ou homem, e Sinhá Vitória, sua companheira. Me deparei com a seguinte frase: "Era mais forte que tudo isso, era como as catingueiras e as baraúnas. Ele, Sinhá Vitória, os dois filhos e a cachorra Baleia estavam agarrados à terra". Nesse exato momento, lembrei daquele senhor (Marcelo) que há poucos dias chegou com uma caixa de vinhos, com um ar de conhecimento regado de simplicidade e leveza, num encontro de amigos de amigos (19/12/24). Que, por ocasião, também era o lançame...

Caatinga

Esta terra seca sou eu, Árida, galhos finos, Envolto pelo sertão. As raízes são as veias que carregam pouca vida. Caatinga. Não existe verde. Se foi a esperança de chuva, De um simples brotar de grama. Até o calango já morreu. Wellingtton Jorge

Gaita

O velho senhor no ponto e sua gaita  O que leva uma pessoa tocar gaita no ponto de ônibus? E o que leva uma pessoa a se privar de fazer algo em público? Para muitos, o ápice da loucura é gaitear em vias públicas  Para outros, o ápice da liberdade é gaitear em vias públicas Wellingtton Jorge 

Paradoxo do meu viver

Hoje eu acordei em um paradoxo, O paradoxo da alegria e da tristeza. Alegre por saber que tenho você E, por ter você, tenho uma vida melhor. Sou triste, pois neste momento você não está aqui para ouvir essas palavras tête-à-tête. Sou alegre porque eu sei que aos finais de semana eu posso tê-la por completo: Corpo, Beijo, Temperatura, Olhar, Risada... Sou triste por saber que os finais de semana passam rápido E aí é preciso guardá-los, Vivê-los com toda a intensidade que eu posso. Sou feliz porque todos os dias eu recordo o primeiro beijo, Recordo o primeiro olhar, Recordo as primeiras conversas. Sou triste por não tê-la conhecido antes. Como não tive você antes? O que fiz ao destino para que se vingasse contra mim? Sou feliz porque hoje eu compartilho tudo o que posso em forma de amor e carinho. Eu sou triste, porque mesmo compartilhando tudo, Ainda sei que o meu tudo não é tudo o que você merece. Wellingtton Jorge

Lavar a louça

As besteiras que pensamos contêm grandes dilemas filosóficos. Hoje, quando fui lavar a louça, tive uma paralisia repentina, oriunda da preguiça. E, nesse exato momento, resisti à tentação e ela se afastou de mim. Fui até a pia e lavei meu prato, duas taças de vinho e meus talheres. Durante essa resistência à preguiça, pensei em quantas pessoas não gostam de lavar louça e como essa é uma tarefa essencial para manter a casa organizada, limpa e aconchegante. Mesmo sem vontade, realizamos essa tarefa dia após dia, gostando ou não. Em minutos, finalizei a obrigação. E pensei como é simples fazer algo mesmo sem gostar. Pergunto-me quantas coisas importantes fazemos sem gostar. Digo "coisas" no sentido de tarefas relevantes, não de ações que violem nossos princípios ou nossa essência. E a conclusão é: lavar a louça é como defecar. Se você não se limpar depois, gostando ou não, haverá muita sujeira. Não me lembro de alguém dizer que gosta de se limpar após defecar, que ama fazer ...

Mozart e Miles Davis, Rubem e Wellingtton

Começo a acreditar que, ao se inspirar em uma determinada pessoa, você passa a vivenciar algo semelhante ao que ela vive. Talvez a espelhar seus atos, pensamentos e até mesmo suas paixões. Quando leio Rubem Alves, tenho a sensação de reflexo, sinto-me como se estivesse diante de um espelho. Não sou presunçoso a ponto de me comparar a ele, não sou tão iludido a ponto de comparar Ronaldinho Gaúcho com Endrick ou Rubem Alves comigo.  Mas é importante (para mim) observar o quanto temos em comum. Quando me deparei com sua crônica "Mozart" nas páginas do maravilhoso livro Ostra feliz não faz pérola, ri muito e lembrei de um episódio similar. Em uma ida rotineira ao Starbucks de Itaquera, pedi meu café expresso de brigadeiro, enquanto ao fundo tocava um repertório magnífico de Miles Davis. Ao pagar o café, perguntei à atendente quem havia escolhido o repertório. Empolgado para citar a música So What e me aprofundar ainda mais no assunto, recebi um balde de água fria. A resposta ines...