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Paradoxo do meu viver

Hoje eu acordei em um paradoxo, O paradoxo da alegria e da tristeza. Alegre por saber que tenho você E, por ter você, tenho uma vida melhor. Sou triste, pois neste momento você não está aqui para ouvir essas palavras tête-à-tête. Sou alegre porque eu sei que aos finais de semana eu posso tê-la por completo: Corpo, Beijo, Temperatura, Olhar, Risada... Sou triste por saber que os finais de semana passam rápido E aí é preciso guardá-los, Vivê-los com toda a intensidade que eu posso. Sou feliz porque todos os dias eu recordo o primeiro beijo, Recordo o primeiro olhar, Recordo as primeiras conversas. Sou triste por não tê-la conhecido antes. Como não tive você antes? O que fiz ao destino para que se vingasse contra mim? Sou feliz porque hoje eu compartilho tudo o que posso em forma de amor e carinho. Eu sou triste, porque mesmo compartilhando tudo, Ainda sei que o meu tudo não é tudo o que você merece. Wellingtton Jorge

Lavar a louça

As besteiras que pensamos contêm grandes dilemas filosóficos. Hoje, quando fui lavar a louça, tive uma paralisia repentina, oriunda da preguiça. E, nesse exato momento, resisti à tentação e ela se afastou de mim. Fui até a pia e lavei meu prato, duas taças de vinho e meus talheres. Durante essa resistência à preguiça, pensei em quantas pessoas não gostam de lavar louça e como essa é uma tarefa essencial para manter a casa organizada, limpa e aconchegante. Mesmo sem vontade, realizamos essa tarefa dia após dia, gostando ou não. Em minutos, finalizei a obrigação. E pensei como é simples fazer algo mesmo sem gostar. Pergunto-me quantas coisas importantes fazemos sem gostar. Digo "coisas" no sentido de tarefas relevantes, não de ações que violem nossos princípios ou nossa essência. E a conclusão é: lavar a louça é como defecar. Se você não se limpar depois, gostando ou não, haverá muita sujeira. Não me lembro de alguém dizer que gosta de se limpar após defecar, que ama fazer ...

Mozart e Miles Davis, Rubem e Wellingtton

Começo a acreditar que, ao se inspirar em uma determinada pessoa, você passa a vivenciar algo semelhante ao que ela vive. Talvez a espelhar seus atos, pensamentos e até mesmo suas paixões. Quando leio Rubem Alves, tenho a sensação de reflexo, sinto-me como se estivesse diante de um espelho. Não sou presunçoso a ponto de me comparar a ele, não sou tão iludido a ponto de comparar Ronaldinho Gaúcho com Endrick ou Rubem Alves comigo.  Mas é importante (para mim) observar o quanto temos em comum. Quando me deparei com sua crônica "Mozart" nas páginas do maravilhoso livro Ostra feliz não faz pérola, ri muito e lembrei de um episódio similar. Em uma ida rotineira ao Starbucks de Itaquera, pedi meu café expresso de brigadeiro, enquanto ao fundo tocava um repertório magnífico de Miles Davis. Ao pagar o café, perguntei à atendente quem havia escolhido o repertório. Empolgado para citar a música So What e me aprofundar ainda mais no assunto, recebi um balde de água fria. A resposta ines...

524L-10

Não prestamos atenção em nada. Existem tantas coisas acontecendo na capital de São Paulo. Vi um pai e sua pequena garotinha, rindo, brincando e vivendo momentos incríveis, tudo isso durante a viagem de metrô. Logo depois, na Praça Cel. Sandoval Figueiredo, moradores de rua e seus cachorros. Todos numa alegria, alegria de ter um ao outro. O famoso caramelo festejando o bom dia do seu dono e, pouco importa o que tem o seu dono, o importa é aquele carinho na cabeça. Outros donos também estavam por lá, despertando na sexta-feira na capital. E seus cachorros ao lado comemorando o que talvez nunca iremos entender. Durante meu trajeto na linha 524L-10 Parque São Lucas, vi um senhor lendo o jornal que fora entregue minutos atrás na Tuiuti. Existe uma sincronicidade ininterrupta na vida, e por que não nos conectamos a ela? Quanto a mim? Estava escutando Tenório Júnior, pianista que desapareceu durante os anos de conflitos ditatoriais no Brasil. Seu álbum Embalo, talvez tenha me embalado a ver o...

Súdito do desejo

Será que sabemos a verdade dos nossos desejos? Compreendemos nossas vontades? Quais dos instintos devo alimentar, quais devo matar? Sou ainda tão primitivo Controlado por emoções efêmeras e irrelevantes Nutrido da letra, ainda me faltam palavras Empançado de argumentos Me calo contra as atitudes animais que são minhas, somente minhas  Elas são em si, minha totalidade O que sou, exatamente como sou Não o que falo, mas o que sou Tão pouco o que demonstro ser  Talvez pareça ou lhe soe ruim o que digo Sim, é ruim!  As verdades se reconhecem Tal como reflexo do lago narcisista de Rafaelo Quando me vê, vê sua totalidade também O homem que é, e não o homem que deveria ser Um é o presente, o fato realizador O outro é um futuro idealizador Não existem coerência de tempo para ambos É preciso cada um habitar em seu tempo  Quanto a mim, sei que não existe dualidade eterna Quero ambos, mas só um é reina em mim E em todo reinado estruturado  É necessário uma base de pirâmide ...